Escrever pode ser a atividade
mais extasiante na vida de um escritor. Mas pode ser também a mais extenuante. Quando
se encontra o cordel dourado, o fio de ouro que liga o coração aos céus, ao
puxá-lo, descem com ele estórias eternas que farão história na vida dos
leitores.
Labuta, sim. Quebrantamento, também.
Dedicação extrema, resignação, entrega absoluta ao texto. Não pelo texto – que,
pelo menos, não seja totalmente por ele. Nem por si mesmo, o escritor – ou não
totalmente, pois o texto é parte dele, se bem que é também o seu todo. Mas pelo
leitor. Definitivamente, pelo leitor, que deve, ao ler, poder sentir-se completo
no que lhe falta; saciado no que se lhe escasseia; pleno no que o anula; divino
no que o inferniza.
Escrever é doar, em letras
simples, toda a fortuna virtuosa que se recebe, todos os dias, em medidas
eternas de versos solenes. É esvaziar-se em porções textuais do infinito poético
para tornar-se a encher cada vez do mel que emana de supremas e versais fontes.
Escrever é dar vida, somente, ao
que – à vida – importa unicamente. É, ao invés disso, vivê-la, pari-la e dela
nascer, a palavra. Escrever é a própria palavra. É vida.
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